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postado em 14/03/2017 às 09h19min

Promotor Antônio Carlos de Oliveira levanta questão de preservação

Mariane Martins - Três Lagoas
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(Foto: Divulgação)

Desde que nascemos, aprendemos na escola que devemos preservar o meio ambiente, afinal é fundamental para manter a existência do planeta terra. Os seres humanos só conseguem sobreviver graças à natureza, pois é da natureza que usamos os animais, água e plantas para nos alimentar. Os recursos são infinitos.

Na luta para preservar nossos recursos naturais, todos podem contribuir. E a justiça também tem um papel importante na questão.

Natural de Bauru e atuando em Três Lagoas há 16 anos, o promotor de justiça, Antônio Carlos Garcia de Oliveira (58), também conhecido como Totó, atua nas promotorias da Família, Meio Ambiente, Urbanismo e Patrimônio histórico, em Três Lagoas. O promotor falou sobre os desafios que a promotoria enfrenta sobre a preservação das lagoas existentes no município. Na visão histórica do promotor, as três lagoas deveriam efetivamente ser preservadas como patrimônio principal da cidade.

Segundo o promotor, o entorno próximo das lagoas são áreas lamacentas e pantanosas e, que no local não deveriam ter sido construídas edificações próximas às águas. Consequentemente, conforme Oliveira, a urbanização prejudicou os lagos. “Nós percebemos numa visão histórica, sem nenhum tipo de exame científico, mas apenas visual, que as lagoas foram massacradas pela urbanização. Nós estamos tentando preservar um pouco do que existe na lagoa maior e, consequentemente a segunda e a terceira lagoa, que razoavelmente foram poucas invadidas”, destaca.

Conforme o promotor, essa é uma longa batalha na preservação das lagoas. De acordo com ele, ideias como fazer um circuito das lagoas, um monumento das lagoas, como uma unidade de conservação, são planos que tentarão ajudar a reduzir o impacto humano nas lagoas. “O Ministério Público entendendo que o dinheiro das compensações deveriam ser todos investidos em Três Lagoas, pois é a zona direta e indireta de impactos na natureza, ingressamos com três ações na justiça e ganhamos em primeira instância, onde a meritíssima juíza, Aline Beatriz Lacerda, entendeu que o promotor tem razão. Ou seja, todo o dinheiro de compensação deve ser investido nas unidades de conservação do município”, revela.

Para Antônio Carlos, a intenção é utilizar o dinheiro para criar áreas de proteção, paisagismo e visitas, na segunda e na terceira lagoa, sem que a presença humana prejudique as águas.

PROMOTORIA X ANIMAIS
Convencido de que quando chegou a Três Lagoas, em 2002, segundo Totó, o lugar não abrigava animais selvagens, como é hoje em dia, com a população de jacarés, capivaras e aves.

Segundo o promotor, a convivência de humanos com esses animais é inevitável, porém não convencional, visto que o local tornou-se urbanizado e não compete mais a existência dos mesmos com os seres humanos. “Alí (lagoa maior) é uma área eminentemente urbanizada, onde o ser humano passa de carro, de moto, a pé, bicicletas, enfim, nós verificamos que na verdade o animal não pode ficar naquele espaço, exceto os pequenos animais, como paturis e aves. Mas os jacarés e capivaras são típicos de outras regiões do país, como o pantanal ou beira de rios. Ou seja, esses animais estão hoje acomodados em um espaço bom (lagoa), mas que para o ser humano é prejudicial à medida que esses animais crescem e tornam-se perigosos”, enfatiza.

Na visão de Oliveira, há o risco desses animais, principalmente os jacarés da espécie papo amarelo, atacarem crianças em busca de alimentos ou como forma de se defender. O promotor ressalta que o “recado” já foi dado à prefeitura municipal como forma de aviso. “Nós achamos que há o risco com relação a essa quantidade de animais na lagoa. Já encaminhamos ofícios para a prefeitura e também solicitamos providências para o juiz, como retirada dos animais, o cercamento do espaço e outras tantas sugestões”, revela.

Sem meias palavras e mesmo enfrentando várias opiniões contrárias da promotoria, Antônio Carlos é enfático ao dizer que a lagoa é urbana e não compete mais a existência desses animais no local. “A comunidade tem que enxergar diferente. As pessoas que acham que fomos nós que invadimos o espaço desses animais, num resgate histórico nós invadimos sim, mas há cem anos e, eles não estavam aqui há cerca de seis anos mais ou menos. E de repente apareceram. O meu pensamento choca com as demais pessoas, más há aqueles que realmente querem a retirada desses animais. O município não pode deixar chegar à situação de repente ter que pagar uma indenização por alguém que foi mordido por um jacaré ou capivara”, conclui.

HISTÓRICO DE ATAQUES
Na última semana mais um vídeo foi registrado por três-lagoenses. Um jacaré da espécie papo amarelo aparece nas imagens devorando um cachorro.

De acordo com informações de pessoas que estavam no local, o cachorro já estava morto por ter sido atropelado na circular da lagoa. O animal de porte pequeno havia sido colocado na grama, quando o jacaré o arrastou e o devorou.
A imagem tem circulado nas redes sociais e abre novamente a discussão entre a população, sobre esse tipo de animal selvagem convivendo no ambiente urbanizado.

Em novembro do ano passado, outros ataques foram registrados. Um jacaré adulto atacou e devorou uma capivara. No mesmo mês, também foi registrado outra cena incomum. Um filhote de jacaré invadiu uma casa na Avenida Aldair Rosa, região central da cidade. A residência fica em frente à lagoa. Chovia muito no momento em que ele apareceu. O animal foi capturado e devolvido a água.

Em dezembro, outro fato também chamou a atenção. Um pescador encontrou cerca de 70 ovos de jacarés na Lagoa Maior. O ambientalista, Manoel Pimenta foi chamado e, identificou a ninhada da espécie. Os ovos foram retirados e levados para o Centro de Conservação da Fauna Silvestre de Ilha Solteira.

O caso foi levado a Promotoria de Meio Ambiente. O promotor, Antônio Carlos Garcia de Oliveira, entrou em contato com os órgãos competentes para passar a situação. De acordo com o promotor, a solicitação já foi encaminhada para o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e à Secretaria Municipal de Meio Ambiente para que ambos tomem as providencias cabíveis. Segundo Oliveira, até o momento nenhuma resposta foi anunciada.

Atualmente existem cerca de 10 jacarés no local. Em uma última pesquisa, foi catalogada uma população de aproximadamente 150 capivaras que também vivem na lagoa, além de pequenas aves e paturis.

A Lagoa Maior de Três Lagoas é um dos pontos mais visitados da cidade. O lugar é o cartão postal do município. Diariamente, centenas de pessoas vão ao local para fazer caminhadas, passear, registrar fotos e ver os animais.

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