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postado em 29/04/2012 às 09h45min

Qual é o preço da morte do brasileiro?

O setor movimenta cerca de R$ 1,5 bilhão ao ano, com 5.500 empresas em funcionamento no país
DA REDAÇÃO, THIAGO ESTEFFANATO - ARAÇATUBA
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Thiago Estefanatto
Sala de velório é decorada com cores neutras e remete a uma sala de estar

Com a expectativa de vida do brasileiro de 73 anos, 5 meses e 24 dias, prevista pelo estudo Tábuas Completas de Mortalidade realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as empresas funerárias se viram obrigadas a ampliarem o leque de serviços prestados na última década aos candidatos da mais conhecida como única certeza da vida: - a morte. O setor movimenta cerca de R$ 1,5 bilhão ao ano, com 5.500 empresas em funcionamento no país, e acumulam crescimento de 30% em cinco anos, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas e Diretores Funerários (Abredif) e do Centro de Tecnologia em Administração Funerária (Ctaf).

Os novos serviços prestados incluem desde um planejamento estratégico para a hora da morte até locais privilegiados para passar o resto da eternidade com a família pagando taxas mensais de condomínio. Para o empresário do ramo funerário, Guilherme Cardassi, atualmente as funerárias preferem clientes vivos do que mortos. “Hoje é muito mais interessante para a empresa ficar com os clientes vivos, pagando as mensalidades de seu plano funerário, do que arrumar seu funeral”, garantiu Cardassi.

Em Araçatuba é possível repousar em um cemitério vertical com direito a sistema de ventilação no interior do jazigo com exaustores que lançam na atmosfera todo o gás carbônico liberado pelo corpo. O ambiente é cercado por fontes aquáticas e vegetação tropical. Para passar o resto dos dias em um lugar como esse o pretendente deve pagar aproximadamente R$ 3 mil para adquirir uma gaveta e deixar os familiares comprometidos a quitarem as taxas mensais de condomínio. Para o proprietário do empreendimento, João Laluce Neto, o ambiente agradável ameniza a dor da família no momento em que ela está mais vulnerável. “Deixar o ambiente mais neutro e aconchegante possível ajuda a família em um momento muito delicado”, garante Laluce. No cemitério vertical há duas salas de velório com sofás aconchegantes, ambiente levemente decorado, remetendo à sala de estar de uma residência.

PRECAVIDA
A araçatubense Neide Roldão Ferreira, 45 anos, já adquiriu dois jazigos no cemitério vertical. Ela não acredita que planejar a morte seja um mau agouro. “Muito pelo contrário, acredito que planejar o momento de nossa morte é uma precaução que todos deveriam tomar”, relatou Neide. A araçatubense já passou por momentos de desespero duas vezes, primeiro com a morte do marido e mais recentemente o falecimento do pai. “Nestas ocasiões ficamos totalmente desnorteados, sem saber o que fazer. Uma empresa que cuida dos procedimentos alivia nossas preocupações”.

Em Araçatuba os cemitérios estão lotados. No da Saudade já não há mais jazigos disponíveis para a venda. Só pode ser enterrado na localidade quem já possui familiares com túmulos no cemitério. O cemitério do bairro Jardim Rosele também está cheio. Os túmulos do local são provisórios. O corpo deve ficar enterrado por três anos, em seguida os restos mortais, são colocados em um ossário público. Os particulares são o vertical e o Cemitério Parque Jardim da Luz, cujos terrenos custam em torno de R$ 4,5 mil.

Na ocasião da morte do pai de Neide, ela não teve condições de comprar vaga no cemitério vertical, seu pai está sepultado no Jardim Rosele. “Quando completar os três anos, vou levar o meu pai para a nova aquisição no cemitério vertical”, revelou. Quando indagada sobre sua própria morte, Neide dispara “já está avisado, meus filhos já sabem que é naquele cemitério que quero repousar”.

PLANEJAMENTO
Para evitar dores de cabeça para a família no momento imprevisto grande parte da população já aderiu aos versáteis planos funerários. Os valores mensais variam de acordo com o serviço pretendido pelo mutuário após o último suspiro.

Para os desprevenidos de última hora um funeral em Araçatuba pode chegar a custar de R$ 800 até R$ 12 mil. O mais barato inclui desde caixões mais simples, com flores artificiais, enquanto o mais luxuoso inclui caixão de madeira de lei, rosas naturais, cerimonial ao som de violinos e serviço de Buffet durante o velório.

Um serviço extra que pode aumentar o preço do funeral é a tanatopraxia que consiste na retirada dos fluidos corpóreos do falecido e a aplicação de injeções com produtos bactericidas. O procedimento pode chegar a custar R$ 800 e visa aumentar o tempo de permanência do corpo em exposição. Com essa medida um falecido de Araçatuba chegou a ficar 10 dias fora de câmaras de resfriamento, à espera de uma filha que viria do Japão para o velório.

PODER MEDIDO PELO CAIXÃO

Uma das maiores fornecedoras de caixões para Araçatuba e região é a Indústria de Urnas Santa Rita, do grupo Bruschetta, localizada em Bilac (SP). A empresa possui 42 anos de mercado na fabricação de urnas das mais simples às mais luxuosas, a empresa fabrica em média 10 mil caixões ao mês.

A valorização da urna é medida tanto pela qualidade da madeira quanto pelos acessórios usados em seu interior e exterior.
As madeiras usadas na fabricação das urnas vão desde o pinnus reflorestado até as de lei como o cedro rosa, itaúba e imbuía; as últimas são as mais caras.

Os caixões mais luxuosos são forrados por cetim de renda com fios dourados, enquanto os mais simples recebem forração de Tecido Não Tecido (TNT). As alças mais caras são as de alumínio, enquanto as mais baratas são as de plástico pintado tanto em prata como em dourado.

Segundo o gerente comercial da fábrica de caixões, Imar Silva, apesar de a produção ser diversificada nos tamanhos, o campeão de vendas é o caixão que mede 1,90 metro com 64 centímetros de largura. No Brasil as cores de caixões seguem a linha do setor moveleiro, castanho, tabaco, mogno, preto e branco. As urnas brancas são tradicionalmente destinadas para crianças. A cor castanho lidera o número de pedidos das funerárias.
Um caixão simples chega a custar do fabricante R$ 200, um dos mais luxuosos custa aproximadamente R$ 4 mil. Funerárias não vendem somente a urna, mas sim o serviço completo, que vai desde a preparação do corpo até o traslado entre velório e cemitério.

CURIOSO
Durante a última Copa, em 2010, uma família de Votuporanga fez um pedido inusitado para a fábrica de caixões em Bilac. O falecido era um fanático por futebol, em seus pedidos finais desejou ser enterrado com um caixão estampado em verde e amarelo com os dizeres “Rumo ao Hexa”. “Tivemos que nos virar, na época solicitamos um serviço de plotagem para imprimir a estampa desejada no caixão”, contou Silva.

CREMATÓRIO
Está se popularizando no município um serviço que era visto por muitos com olhar atravessado. Mais de 200 pessoas já procuraram as funerárias interessadas pela cremação no município.

Atualmente não existe este serviço em Araçatuba. Os interessados devem ser enviados para São José do Rio Preto.
Até o momento a compra do forno crematório foi fechada pela Funerária Laluce. A Cardassi também está em fase de negociação do forno. Para a instalação do forno da Laluce ser concluída falta apenas a liberação de autorização pelaCompanhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).

O preço médio para a realização deste procedimento custa em torno de R$ 3 mil.

Na cremação, basicamente, os corpos são colocados em fornos e incinerados a temperaturas altíssimas, fazendo carne, ossos e cabelos evaporarem. Só algumas partículas inorgânicas, como os minerais que compõem o osso, resistem a esse calor intenso.

EXTINÇÃO DOS “PAPA-DEFUNTOS”
Os antigos “papa-defuntos” já não fazem parte da realidade das empresas funerárias da região. Existem relatos de que há umas duas décadas uma verdadeira disputa por corpos eram travadas frente aos hospitais para ver quem ficava com o morto. Para sair na frente dessa queda de braço eram contratadas pessoas que trabalhavam nos hospitais para chamar o agente funerário assim que a pessoa desse o último suspiro. Os informantes recebiam uma comissão por morto indicado à funerária. Também há relatos de que a briga por corpos já terminou em tiroteio entre dois funcionários de funerárias pela posse de um morto. O duelo aconteceu em frente à Santa Casa de Araçatuba.

Com o passar do tempo começaram a aparecer os primeiros planos funerários. A popularização dos planos que prevê um funeral digno ao falecido extinguiu os anteriores “papa-defuntos”. Ao pagar um plano em determinada empresa, a família inteira fica à disposição da funerária pela qual fechou contrato. Os planos funerários praticados no mercado araçatubense possuem mensalidades médias de R$ 13 até R$ 50.

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